As Dez Elegias que Acabam a Poesia exigem paciência e escuta. A voz é fraturada, inconsolada; o sujeito surge como resto, tensão, memória de si. Palavras como niilação, quiliocosmos, nictofania, Laniakea abrem fendas no idioma e levam a língua ao limite. No centro, Ângela resiste à dispersão. O poema avança por ecos e retornos, sem transparência imediata. Ler é aceitar o risco: a linguagem torna-se travessia, densidade rara.
MICAELA SANTOS